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Homenagem ao poeta Augusto dos Anjos

20 de julho de 2011

O marcante poeta Augusto dos Anjos chegou a escrever uma ode à Tamarineira plantada no quintal de sua casa, dizendo: “quando pararem todos os relógios de minha vida, e a voz dos necrológios gritar nos noticiários que eu morri, a minha sombra há de ficar aqui!”. O poeta foi enterrado em Leopoldina, MG, distante da sua origem, na Paraíba. Há 10 anos os produtores culturais Fernando Portella e Rogério Carnasciali, do Instituto Cultural Cidade Viva, recolheram sementes do Tamarindo da casa de Augusto dos Anjos e plantaram-nas atrás de seu túmulo, em Leopoldina. Este ato contou com uma bela solenidade. Hoje, frondosa, a Tamarineira paira sobre a lápide do escritor, garantindo a almejada sombra. Vale a homenagem, não?

A foto acima é do artista Zé Andrade, diversamente do que foi publicado ontem, por engano nosso, no jornal O Globo.

DEBAIXO DO TAMARINDO

No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos.

Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da Flora Brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade
A minha sombra há de ficar aqui!

Augusto dos Anjos

Uma resposta para "Homenagem ao poeta Augusto dos Anjos"

  1. AUGUSTO DOS ANJOS
    Paulo Gondim
    17/02/2011

    Da Paraíba ao Rio de janeiro
    Um poeta único, por inteiro
    Vida curta, porém intensa
    Um único amor que se fez dor
    Que de mais rico era o que tinha
    Por preconceito da mãe
    Viu-o morrer de uma surra
    Sua amada “Francisquinha”

    A quem amaria mais?
    Impossível, só à poesia
    Que o fez com maestria
    Além de seu tempo
    Ninguém o compreendia
    Em 1900, já falava de ecologia

    Fez versos de seu próprio íntimo
    Cantou miseráveis quimeras
    Morreu moço, foi sua sina
    Repousa em terra abençoada
    De Minas a mais ensolarada
    A querida e bela Leopoldina

    Em toda vida de poeta, único Livro
    “EU e outros sonetos”
    Para muitos, um bruxo, o mais lido
    Esquisito, soturno no dia a dia
    Perplexo diante dele e da palavra fria
    Como discípulo, assino minha ficha
    E entro de vez em sua confraria

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