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FIM, no Morro da Conceição : para reflexões em torno de festas literárias

19 de outubro de 2012

Dois eventos literários, ambos no Rio de Janeiro – um realizado com bastante sucesso e expressividade. Outro, a ocorrer a partir de amanhã, de resto fadado à farta repercussão – são extremamente representativos de possíveis (para muitos, almejadas) vertentes dos cenários editorial e livreiro, por extensão literária do país no momento.

Dada a público no Museu da República, de27 a30 setembro, a 12ª “Primavera dos Livros” — a congregar editoras não entre as maiores, mas por certo algumas das mais operosas —   supera-se a cada ano: nesta edição 2012, transcendeu o modelo comum e  às próprias natureza e escopo de um evento de exposição e venda de livros para se constituir em notável cenáculo temático, que teve – em painéis, palestras, breves simpósios, mesas-redondas, depoimentos – a Leitura, seus fomento, estímulo e prática, como tema, mote e leitmotiv .

A ter lugar no Morro da Conceição – do qual se descortina exuberante vista da baía de Guanabara – nos dias 20 e 21 outubro, o “Fim de Semana do Livro no Porto — FIM”, não uma feira, mas uma ‘récita’ de palestras e diálogos em torno do livro e da literatura,a reunir um timaço de escritores, editores, livreiros, jornalistas, intelectuais de diversos naipes – entre eles, Ruy Castro, Antônio Torres, Cora Rónai, Sérgio Rodrigues, Carlos Lessa, Ronaldo Lemos, Braulio Tavares, Nei Lopes, Sergio Cabral.

Quando menciono tanto a “Primavera dos Livros” quanto o “FIM” se constituírem em verdadeiros geradores de elemento de reflexão acerca de eventos literários – transpondo o (comum) cenário de exposição e venda de livros para um (auspicioso) cenáculo temático — reporto-me de imediato às discussões e análises que ora se dão, gradativamente com maior intensidade, com relação à bienal do Livro, cuja recente edição,em São Paulo, mostrou-se esvaziada, “fisicamente” por parte e no seio do próprio meio editorial-livreiro, haja vista, por exemplo, grandes editoras estarem ausentes, sob argumentação de “custos exorbitantes” e “parcos resultados”, e conceitualmente por força do crescente pensamento crítico quanto ao tradicional “modelão”, ou “formatão” (assim são definidos pelos profissionais do ramo) da bienal, ao mesmo tempo em que as atenções se voltam cada vez mais para os eventos regionais, essa profusão (benéfica, digo eu) de festas e feiras pelo país: Belém, Fortaleza, Recife, Ouro Preto, Paraty, Porto Alegre, Passo Fundo (estas duas últimas bastante tradicionais, já de longa data): persiste mesmo o intento, entre editores, livreiros e profissionais do setor, de fortalecimento e incremento a esses eventos regionais, os quais — tanto por suas próprias concepções como pelas efetivas programações realizadas até aqui — têm oferecido os elementos de uma presente reflexão conceitual sobre a Bienal: constituir-se menos em cenários de venda e exposição de livros e mais de incentivo à leitura – certo que nas últimas edições a bienal vem, embora de modo incipiente e algo disperso, a incrementar certos painéis, mesas-redondas, debates, até mesmo ligeiras oficinas acerca de temas específicos, reflexões sobre literatura, promoção da leitura etc. As feiras regionais, com efeito, oferecem, de resto, o que faz parte das proposições preconizadas pelos intentos de reformulação conceitual da Bienal, traduzida por maior incidência de painéis, mesas redondas, debates e oficinas em torno da literatura, do livro e da leitura.

(Duas semanas após o encerramento da Bienal, foi constituída uma comissão de editores, sob a égide da Câmara Brasileira do Livro, para estudar o assunto e talvez definir os rumos da grande feira).

Exatamente nesse diapasão de reavaliação do que poderiam vir a ser os modelo e formato de eventos desse tipo inscrevem-se a edição 2012 da “Primavera dos Livros” e o “FIM”.

P.S.: FIM (DE SEMANA) DO LIVRO (NO PORTO) — que não é o “Fim do Livro” , como se apregoa por aí. Livro, sabemos todos, é ‘eterno’, ‘invencível’,’imortal’ . porque Livro é texto, é o conteúdo, não o formato, o suporte,o invólucro. Por isso, eu, sim, apregoo: Livro também é o e-book, também é o aplicativo (app) para o tablet, o iPad, o iPhone; também é o audiobook.

Eu, de minha parte, escrevo, produzo e forneço a todos: 11 impressos (por ora), 1 audiobook (ainda), 1 e-book (por enquanto) e conteúdos diversos em adaptação para apps.

Mauro Rosso é escritor, ensaísta e pesquisador de literatura brasileira

maurorosso@uol.com.br

 

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