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Dada a largada para uma grande mudança no cenário carioca

10 de agosto de 2011

Entrevista na íntegra com Eduardo Pettengill, presidente da Porto Novo S.A.

Conheça o perfil da concessionária que administrará o Porto do Rio nos próximos 15 anos

Eduardo Pettengill, diretor-presidente da Porto Novo S.A., que assumiu a região na segunda quinzena de junho, tem nas mãos uma difícil tarefa: reformar 204 ruas que ocupam 5 milhões de m². Além disso, o dirigente falou à Folha da Rua Larga sobre os principais desafios da concessionária que administrará R$ 3.508.013.490,00 provenientes da venda dos Cepacs, na região. Os recursos devem ser aplicados, até 2016, em obras de infra-estrutura urbana e serviços básicos de atendimento a população, como poda de árvore, iluminação e tapa-buracos.

Como se deu a escolha da Porto Novo?

Houve uma licitação da prefeitura para fazer uma PPP administrativa. Foi feito um consórcio de três empresas: Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia. Uma vez que elas ganharam essa licitação era por necessidade contratual organizar uma sociedade de propósitos específicos. Eu hoje presido a concessionária Porto Novo, uma sociedade anônima fechada, cujos acionistas são os próprios vencedores da concorrência. Hoje eu presido essa sociedade de propósitos específicos, que é a concessionária Porto Novo. Essa sociedade anônima tem um conselho de administração, ao qual nós somos subordinados, composto pelos três acionistas e nós temos nossa diretoria, composta por diretor-presidente, diretor de operações e diretor financeiro.

Qual foi a ação inaugural da empresa?

A Porto Novo foi composta em novembro de 2010, quando o consórcio venceu a licitação. Desde janeiro estávamos aguardando a ordem de serviço para iniciarmos a operação. Fizemos um planejamento para iniciar as operações e uma pesquisa da área, para fazermos uma gestão de 180 dias, quando estamos assumindo toda a parte de limpeza urbana, coleta de lixo, iluminação, poda de árvore, conservação das vias – calçadas e ruas, enfim, todo esse serviço e controle de tráfego também. Fazemos o controle de tráfego na região apenas como apoio às ações da CET Rio.

Qual é a solução para a limpeza urbana?

Fizemos um contrato de transição com a Comlurb, já para identificar com a nossa marca. A Comlurb adotou o nosso uniforme e esse contrato de transição vai ter duração de até seis meses, até que a gente organize um outro serviço para não sofrer uma interrupção, que prejudicaria muito os usuários da área. Nosso cuidado é de manter a Comlurb na área nessa fase de transição justamente para evitar qualquer descontinuidade na prestação de serviços. Ao término desses seis meses vai acontecer de fato uma substituição da Comlurb por outra empresa do ramo. Fizemos uma operação no King Kong para a população se conscientizar, principalmente em termos de coleta de lixo, para manter aquela área bem limpa. A Comlurb tem um programa muito bem estruturado para essa parte, de esclarecimento da população. Pretendemos manter e reforçar esse programa.

Existe um cronograma?

Estamos fazendo essa gestão de 180 dias, que é uma varredura geral – no sentido figurado – em termos de poda de árvores, iluminação, alinhamento, tapa buracos, todos esses serviços urbanos. Após esse 180 dias vamos manter toda essa parte de conservação da área aguardando então as obras estruturantes, que vão começar por volta de setembro e outubro, e então teríamos uma área totalmente reconstruída em termos de infra-estrutura. No futuro faremos uma conservação dessa nova área, no sentido mais amplo do termo, e garantiríamos essa manutenção.  Uma das prioridades vai ser a parte da Francisco Bicalho, Rodoviária, essa será a obra inicial, a primeira etapa. A segunda etapa seria a reconstrução da Rodrigues Alves, que vamos fazer em cinco etapas. Inicialmente estava prevista para seis anos, a prefeitura quer que a gente faça em cinco. Estamos nos programando, portanto para fazer em cinco anos as obras estruturantes.

Existe alguma ação prevista para conservação do patrimônio material e imaterial?

Essa parte diz respeito a Cdurp (Companhia de Desenvolvimento do Porto do Rio de Janeiro). Inclusive um percentual da venda dos Cepacs, que está financiando toda a parte de serviços e obras. Eles têm uma participação para justamente alocar recursos para todo esse patrimônio material e imaterial dessa área, que é bastante vasto. Vão ser destinados 3% dos recursos obtidos com a venda dos Cepacs para esses fins.

Como se dá a interação entre a Porto Novo e a Cdurp?

A Cdurp é o nosso contratante. Foi criada uma empresa, pela prefeitura, em que a prefeitura é a maior acionista dessa empresa, ela fez a licitação e a contratação do nosso serviço. A Cdurp irá fiscalizar o nosso serviço na área. O nosso projeto, do Porto Novo, é um projeto dentro do Porto Maravilha e o Porto Maravilha envolve outros projetos.

O atendimento à população já está funcionando?

Desde o dia 15 de junho. Estamos com atendimento através do telefone 0800-880-7678 – os quatro dígitos finais formam a palavra Port – presencial e através do site www.portonovosa.com. O atendimento presencial está funcionando provisoriamente na Rua Pedro Álves, 307, Santo Cristo. Estamos organizando a ouvidoria. O 0800 é um serviço operacional. Então o cidadão passa por algum buraco e liga para informar. Já a ouvidoria, por exemplo, o indivíduo reclamou três vezes e não ficou satisfeito? Então teria a ouvidoria para reclamar, como uma segunda instância do 0800. Isso já não seria um serviço operacional, mas um serviço de gestão da empresa que vai investigar por que o setor de operações não atendeu. Estamos recebendo uma média de 7 a 8 ligações por dias, de demandas por serviços. Esse 0800 é só para serviços. Paralelamente a isso tem o 1746 da prefeitura. Quando eles recebem uma ligação que diz respeito a essa área eles passam para a gente. E vice-versa. Se for uma questão de IPTU, ou que não tenha a ver com o nosso escopo, a gente encaminha para eles. Inclusive temos um representante da Porto novo dentro do centro de operações de prefeitura.

Como está o planejamento das obras estruturantes?

Não vou dizer que a nossa obra vai ser um paraíso. Vai causar um certo stress. Mas estamos nos preparando para causar o mínimo transtorno possível. Não vamos simplesmente demolir a perimetral. Com certeza vamos ampliar em 50% a capacidade do tráfego hoje. Estamos fazendo uma via binária, que a gente chama, uma via paralela, com seis pistas, paralela a hoje existente Rodrigues Alves, e só depois começaremos então a fazer a demolição da Perimetral para fazermos uma via expressa onde é a Perimetral hoje. A demolição de parte do elevado da Peritral vai acontecer, portanto, apenas depois que essa via paralela, expressa, for implantada, para que possa absorver o tráfego da Perimetral.

Qual é a área de atuação da concessionária?

Ao sul, da fachada da Presidente Vargas para dentro, é nossa. A oeste, temos a Francisco Bicalho. A Francisco Bicalho toda é da área de concessão. Ao norte, temos toda a Perimetral e Rodrigues Alves que vai da Rodoviária até a Presidente Vargas e a leste temos como limite a Avenida Rio Branco. 5 milhões de m² incluindo os bairros de Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Morro da Conceição, Morro do Pinto e Morro da Providência.

Está prevista alguma inovação em transporte público para a região?

A prefeitura está prevendo a instalação de VLT (veículo leve sobre trilho). Ele tem um traçado que pegará toda a área. É intenção da prefeitura que essas duas asas que estariam dentro da nossa área sejam conectadas com as barcas, com o aeroporto e com a Central. Então vai haver uma integração bem grande com esse transporte. Deixaremos o leito preparado. A prefeitura está fazendo o projeto agora, para depois licitar. É um projeto à parte.

Qual é a prioridade da Porto Novo?

A construção da Via Binária. Essa via é paralela a Rodrigues Alves. Nós vamos criar um túnel no Morro da Saúde, Equador, Venezuela, estamos fazendo duas “alças” em frente a Rodoviária para pegar, por essa via paralela e ir para a Ponte Rio Niterói. Na Primeiro de Março vamos fazer um túnel, passado por baixo do São Bento, Praça Mauá, Polícia Federal, Morro da Saúde, Equador. Daí sairão duas vias, com acesso a ponte Rio Niterói. Só depois que tivermos com essa via binária pronta é que começaremos a mexer na Perimetral. A obra está estimada para ser concluída em mais de um ano.

De onde virão os recursos para os serviços operacionais e obras de infra-estrutura?

Da venda dos Cepacs (certificados de potencial construtivo adicional). No plano diretor da cidade do Rio de Janeiro estava determinado, em lei, quanto era permitido construir na região. Por exemplo, em um terreno x, só seria permitido construir até 1.000 m². Foi feita uma nova legislação aumentando esse potencial construtivo local. Todos os Cepacs foram vendidos, em lote único para a Caixa Econômica Federal, assegurando recursos para os próximos 15 anos de obras e operações.

Qual é o maior desafio a ser superado?

Fixar a marca Porto Novo na região e que ela signifique segurança, qualidade, eficiência e conforto para os usuários da área.

sacha leite

sacha@folhadarualarga.com.br

Uma resposta para "Dada a largada para uma grande mudança no cenário carioca"

  1. Boa tarde a todas e todos.
    Sou moradora da Gambôa e gostaria de saber onde encontro a Folha da rua larga, nunca vi em lugar algum e muito me interessa contribuir.
    Gentilmente,
    Karla Cris Belfort
    Produtora Sociocultural

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