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1 de agosto de 2014

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15 de outubro de 2013

Folha da Rua Larga 40ª Edição

24 de setembro de 2013

Roberto Anderson fala sobre o site ‘Rio Arte Cidade’, que mapeia e contextualiza monumentos expostos em espaço público

15 de fevereiro de 2013
O que achou da inciativa de mapear, catalogar e sinalizar a arte urbana no Rio de Janeiro?
R – Muito importante. Já há uma tradição de cuidar de edificações importantes para a história da cidade, mesmo que com alguma dificuldade de se mante-los em bom estado de conservação. Mas me parece que jardins e monumentos ainda não têm o devido cuidado.
Qual é a sua opinião sobre a realização da primeira fase do site Rio Arte Cidade? 
R – Acredito que foram capazes de selecionar monumentos bastante significativos, incluindo esculturas de artistas contemporâneos que se encontram no espaço público.
Em sua opinião qual é o maior desafio do projeto?
R – Acredito que o maior desafio de qualquer site é se manter ayualizado e respondendo ás demandas do público.
Acha que o projeto vai atender mais a qual tipo de público, turistas ou locais?
R – Turistas poderão ser atendidos com certeza. mas acredito que há um grande interesse entre os moradores da cidade pela história da mesma. É comum encontrarmos fotos e gravuras do Rio antigo em escritórios e consultórios, o que demonstra um carinho grande pela história do Rio, mas que talvez ainda não se traduza num alerta quanto à perda dessa história no presente.
Gostaria também de saber o por quê da escolha do local em que foi entrevistado para o site e como foi a entrevista com os realizadores. 
R – Não sei ao certo o critério para a seleção dos entrevistados e dos locais a que foram relacionados. No meu caso, como há um certo conhecimento de que trabalho na área de Patrimônio, isto deve ter influenciado a escolha do chafariz do Mestre Valentim, o que muito me satisfez.

FIM, no Morro da Conceição : para reflexões em torno de festas literárias

19 de outubro de 2012

Dois eventos literários, ambos no Rio de Janeiro – um realizado com bastante sucesso e expressividade. Outro, a ocorrer a partir de amanhã, de resto fadado à farta repercussão – são extremamente representativos de possíveis (para muitos, almejadas) vertentes dos cenários editorial e livreiro, por extensão literária do país no momento.

Dada a público no Museu da República, de27 a30 setembro, a 12ª “Primavera dos Livros” — a congregar editoras não entre as maiores, mas por certo algumas das mais operosas —   supera-se a cada ano: nesta edição 2012, transcendeu o modelo comum e  às próprias natureza e escopo de um evento de exposição e venda de livros para se constituir em notável cenáculo temático, que teve – em painéis, palestras, breves simpósios, mesas-redondas, depoimentos – a Leitura, seus fomento, estímulo e prática, como tema, mote e leitmotiv .

A ter lugar no Morro da Conceição – do qual se descortina exuberante vista da baía de Guanabara – nos dias 20 e 21 outubro, o “Fim de Semana do Livro no Porto — FIM”, não uma feira, mas uma ‘récita’ de palestras e diálogos em torno do livro e da literatura,a reunir um timaço de escritores, editores, livreiros, jornalistas, intelectuais de diversos naipes – entre eles, Ruy Castro, Antônio Torres, Cora Rónai, Sérgio Rodrigues, Carlos Lessa, Ronaldo Lemos, Braulio Tavares, Nei Lopes, Sergio Cabral.

Quando menciono tanto a “Primavera dos Livros” quanto o “FIM” se constituírem em verdadeiros geradores de elemento de reflexão acerca de eventos literários – transpondo o (comum) cenário de exposição e venda de livros para um (auspicioso) cenáculo temático — reporto-me de imediato às discussões e análises que ora se dão, gradativamente com maior intensidade, com relação à bienal do Livro, cuja recente edição,em São Paulo, mostrou-se esvaziada, “fisicamente” por parte e no seio do próprio meio editorial-livreiro, haja vista, por exemplo, grandes editoras estarem ausentes, sob argumentação de “custos exorbitantes” e “parcos resultados”, e conceitualmente por força do crescente pensamento crítico quanto ao tradicional “modelão”, ou “formatão” (assim são definidos pelos profissionais do ramo) da bienal, ao mesmo tempo em que as atenções se voltam cada vez mais para os eventos regionais, essa profusão (benéfica, digo eu) de festas e feiras pelo país: Belém, Fortaleza, Recife, Ouro Preto, Paraty, Porto Alegre, Passo Fundo (estas duas últimas bastante tradicionais, já de longa data): persiste mesmo o intento, entre editores, livreiros e profissionais do setor, de fortalecimento e incremento a esses eventos regionais, os quais — tanto por suas próprias concepções como pelas efetivas programações realizadas até aqui — têm oferecido os elementos de uma presente reflexão conceitual sobre a Bienal: constituir-se menos em cenários de venda e exposição de livros e mais de incentivo à leitura – certo que nas últimas edições a bienal vem, embora de modo incipiente e algo disperso, a incrementar certos painéis, mesas-redondas, debates, até mesmo ligeiras oficinas acerca de temas específicos, reflexões sobre literatura, promoção da leitura etc. As feiras regionais, com efeito, oferecem, de resto, o que faz parte das proposições preconizadas pelos intentos de reformulação conceitual da Bienal, traduzida por maior incidência de painéis, mesas redondas, debates e oficinas em torno da literatura, do livro e da leitura.

(Duas semanas após o encerramento da Bienal, foi constituída uma comissão de editores, sob a égide da Câmara Brasileira do Livro, para estudar o assunto e talvez definir os rumos da grande feira).

Exatamente nesse diapasão de reavaliação do que poderiam vir a ser os modelo e formato de eventos desse tipo inscrevem-se a edição 2012 da “Primavera dos Livros” e o “FIM”.

P.S.: FIM (DE SEMANA) DO LIVRO (NO PORTO) — que não é o “Fim do Livro” , como se apregoa por aí. Livro, sabemos todos, é ‘eterno’, ‘invencível’,’imortal’ . porque Livro é texto, é o conteúdo, não o formato, o suporte,o invólucro. Por isso, eu, sim, apregoo: Livro também é o e-book, também é o aplicativo (app) para o tablet, o iPad, o iPhone; também é o audiobook.

Eu, de minha parte, escrevo, produzo e forneço a todos: 11 impressos (por ora), 1 audiobook (ainda), 1 e-book (por enquanto) e conteúdos diversos em adaptação para apps.

Mauro Rosso é escritor, ensaísta e pesquisador de literatura brasileira

maurorosso@uol.com.br

 

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia começa hoje

15 de outubro de 2012

Domingos Naveiro, diretor do INT, dá dicas de como aproveitar bem a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que acontecerá entre 15 e 21 de outubro

 

Em sua opinião qual é a importância da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia?

A Semana Nacional de C&T é o principal evento de popularização da ciência no país. Realizada desde 2004 tendo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação como promotor, ela acontece simultaneamente em todos os estados e em mais de 600 municípios brasileiros. Através dessa ampla divulgação, a população se aproxima dos temas científicos e tecnológicos, tendo oportunidade de enxergá-los como parte do seu dia-a-dia e não como uma realidade distante, fechada nos laboratórios, universidades e centros de pesquisas. Iniciativas como essa ajudam a sociedade a participar mais das discussões científicas, despertam vocações entre os mais jovens e abrem campo para a inovação, que acontece quando a pesquisa tecnológica é efetivamente repassada para o setor produtivo. Esse último aspecto, aliás, coincide com a própria missão do Instituto Nacional de Tecnologia, hoje fortemente voltado para a inovação e a transferência tecnológica.

O senhor destacaria alguma atividade específica na programação de 2012? Por quê?

As atividades da Semana acontecem de 15 a 21 de outubro em vários pontos da cidade. Destaco as atividades que acontecerão envolvendo o próprio INT, que tem sede nas proximidades da Praça Mauá, na Avenida Venezuela, nº 82. Na terça-feira (16), realizaremos, às 14h30, em nosso auditório uma palestra especial do ciclo Terças Tecnológicas, que contará a trajetória de 90 anos do Instituto nas pesquisas com biocombustíveis, mostrando desde os primeiros testes com um carro a álcool até o bioquerosene para aviação, desenvolvido recentemente com tecnologia inédita no mundo. Na quarta (17), teremos de 9h às 12h, a mostra de filmes Ver Ciência, e, das 14h às 16h, o evento INT de Portas Abertas, quando os alunos de escolas locais e o público em geral podem visitar alguns dos nossos laboratórios, conhecendo tecnologias como a prototipagem rápida, que imprime arquivos tridimensionais gerados no computador, e atividades como os testes que são realizados para a certificação dos preservativos masculinos. De sexta-feira (19) a domingo (21), das 9h às 18h, o INT participará da Tenda SESC, na Quinta da Boa Vista. Lá mostraremos vários de nossos projetos, como as novas embalagens que evitam o desperdício das frutas. Haverá também a participação de outras instituições – Fiocruz, Faetec, Impa, Museu de Astronomia e Ciências Afins, Museu Nacional, Colégio Pedro II, Cetem, CBPF, Casa das Artes, Ciência Viva e SESC – apresentando suas atividades.

da redação

redacao@folhadarualarga.com.br

 

Múltiplos coletivos culturais difundem a cultura afro-brasileira

14 de agosto de 2012

Antropóloga pesquisa as representações culturais negras da área portuária do Rio

Leia na íntegra a matéria publicada na 34ª edição da Folha da Rua Larga

Há 14 anos a antropóloga Luz Stella Rodríguez Cáceres estuda comunidades negras e políticas das identidades na América Latina. O interesse pelo tema começou na Colômbia, seu país de origem, e nos últimos anos concentrou-se no Brasil. Há três meses ela defendeu a tese “Lugar, memórias e narrativas da preservação nos quilombos da cidade do Rio de Janeiro”, no departamento de Geografia da UFRJ.

A sua pesquisa está relacionada à territorialidade, e ao caráter social da questão: “Quando falamos de quilombos estamos falando de movimentos sociais contemporâneos. Como definição quilombo não se refere a resíduos arqueológicos de ocupação temporal. Também não se trata de grupos isolados ou de uma população estritamente homogénea, consistem sobretudo em grupos que desenvolveram práticas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida característicos num determinado lugar”.

Stella explica que as atuais comunidades quilombolas têm como característica principal a luta por direitos territoriais e reconhecimento ante o estado: “os atuais quilombolas são os novos sujeitos de direitos. São grupos que buscam uma cobertura social na lei”. Trata-se de uma categoria política em disputa, e em permanente redefinição. E se bem esta definição tem representado uma ruptura no plano conceitual das ciências sociais no Brasil, ela não se encontra ainda plenamente estabelecida e comporta uma diversidade de situações para os grupos que a assumem como identidade.

A pesquisadora ressalta que iniciou sua pesquisa com o Quilombo de Sacopã, na Lagoa, composto por uma família de umas 30 pessoas, e decidiu incluir o quilombo da Pedra do Sal a partir de uma notícia veiculada na mídia, que anunciava um conflito de tipo fundiário no local. Passou então a fazer pesquisa de campo no lugar. O campo lhe mostrou que além do quilombo da Pedra do Sal, tinha também na região portuária outros coletivos que se identificavam como herdeiros de uma memoria afro-brasileira, os quais fazem diversas apropriações do espaço a partir de manifestações públicas como rodas de samba, rituais religiosos e onde também aparecem comidas associadas à culinária negra. “Como é um lugar no que participam múltiplos atores, os significados são múltiplos, pelo que é difícil pensar em uma única fronteira” Entre os diversos grupos que encontram identidade com Pedra do Sal se encontram o Centro Cultural Pequena África, as rodas de samba, especialmente Samba na Fonte, e outros coletivos que sem ser da região tem fortes laços com o lugar. Algumas atuações como a do Centro Cultural Cartola, na comemoração do aniversário da Fundação Cultural Palmares, por exemplo, perturbam a explicação mecânica de pertencimento enraizado ao lugar pela via dos laços entre o território e a identidade.

De acordo com a pesquisa, a Pedra do Sal veio se apresentando como uma espécie de nó, em uma dinâmica cultural que reúne pessoas das mais diversas origens: “Samba na Fonte por exemplo, conseguiu atrair músicos e compositores de lugares como Salgueiro, Engenho da Rainha, Campo Grande, Niterói, Gamboa, Estácio, Bangu, Penha, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Engenho Novo, Tijuca, Água Santa e Catumbi”. Segundo ela, essas práticas culturais, por exemplo, descentram a Pedra do Sal, criando uma ruptura entre o lugar da residência e o lugar do pertencimento permitindo exercer sua influência além das fronteiras micro-locais. Estas experiências musicais geram um lócus de cultura menos essencializado, que abre as portas aos que quiserem participar e propõem uma apropriação multilocalizada. Certamente  há uma ligação aqui com o impacto e ressonância que produziu seu tombamento”

 

Em que contexto a Pedra do Sal foi tombada?

Aconteceu em um momento pós-ditadura, no governo de Brizola e quando Darcy Ribeiro apoiou a monumentalização de espaços públicos e populares, foi na mesma época em que se promoveu a reforma no sambódromo e se planteava a necessidade de situar um local de homenagem à negritude carioca, visto que a decisão de fazer um monumento a Zumbi dos Palmares tinha se complicado nas viradas da política da época. As versões que se referiam a este lugar como uns dos berços do samba, também ajudaram na sua consolidação como monumento.

 

Por que decidiu estudar as comunidades quilombolas?

Sou colombiana e trabalhava com comunidades negras colombianas desde 1998, pela similitudes entre ambos os países quis comparar. O Brasil é o maior pais com população afrodescendente na América Latina, a Colômbia é o segundo, também estavam as semelhanças em termos dos desenvolvimentos jurídicos para proteger comunidades negras rurais. Sempre trabalhei na área rural. Quando cheguei ao Brasil não estava pensando em pesquisar na cidade, cheguei ao trabalho urbano pelo acaso, mas me surpreendi, a cidade é uma selva de símbolos. Aqui no Brasil os estudos socioculturais no espaço urbano são muito desenvolvidos.

 

Como você se inseriu no campo?

Comecei a trabalhar na comunidade Sacopã, na Lagoa, com uma família de aproximadamente 30 pessoas. A partir de uma notícia que saiu na mídia tomei conhecimento da Pedra do Sal. Conheci o local e comecei a fazer uma etnografia do lugar e não do grupo. Interpretei o quilombo como um ator a mais na Pedra do Sal. Contudo, a porta de entrada para minha pesquisa no local, foi o conflito entre a comunidade quilombola e a VOT.

 

O que mais a encantou no objeto?

Fiquei impressionada com a riqueza da história, relacionada à inserção do negro no Rio de Janeiro. Era um lugar extremamente marcado pela historia, carregado simbolicamente que aparecia como fonte de representação e memória para muitos sujeitos e coletivos negros da cidade. O bloco Afoxé Filhos de Gandhi, Samba na Fonte, Centro Cultural Pequena África… A pedra do sal é um marco da história afrocarioca. Mas a pesquisa me permitiu entender que não se trata de uma memória única, há várias memórias concorrentes, historias e contradições que avivam no lugar. Fui mapeando os movimentos.

 

Como percebeu a influência do Porto Maravilha no local?

Acho que tem um papel muito ambíguo. Quando me aproximei do campo, o projeto Porto Maravilha era apresentado por diferentes atores como o vilão da história, mas hoje esta mediando, entre outras coisas, processos relacionados com a descoberta do passado e da memoria africana da região. Sua atuação para a modernização da região tem possibilitado a presentificação desse passado a partir das escavações arqueológicas. Agora o projeto Porto Maravilha aparece como o salvaguarda dessa memória, mas vale a pena perguntar-nos, se não estamos assistindo para uma neutralização das demandas dos coletivos sociais.

 

De que maneira a memória afrodescendente local está sendo tratada?

Em minha opinião há um risco de cair na banalização dessa memória a partir da sua mercantilização. Temos que pensar, por exemplo, o que significa edificar um memorial da diáspora africana? É um marco zero que contem algum tipo de reconciliação entre as partes afetadas pela escravidão e seus descendentes, ou é apenas um item mais para atrair turistas à região, enquanto as pessoas por exemplo continuam a serem movidas como coisas no atual contexto das remoções que se vivenciam na área portuária? A mercantilização da memória fica evidente na quantidade de visitas guiadas que surgiram da região, ou na proposta do atual prefeito para que o Hotel Barão de Tefé seja comprado por Eike Batista, sob a promessa do local se constituir no novo cartão postal da cidade.

 

sacha leite

sacha@folhadarualarga.com.br

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